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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A História! Um bicho papão para o adoslecente? Um bicho papão para quem mais?

Já ouvi pessoas dizendo: eu detesto História! - Que lástima tal sentimento. :(
Creio que, possivelmente, essa “desafeição” em relação à História nada mais seja do que o modo como ela chega até o indivíduo. E, realmente complica ser conquistado pela História, pois ela começa a surgir nos primeiros anos do ensino (quando ainda se é um adolescente), ou seja, chega como uma disciplina escolar que, como as outras, precisa de nota suficiente para acontecer à aprovação. Assim, como esquecer aquele sufoco, em dias de prova, quando o professor (a) passava inúmeros capítulos para ser estudado?!
Algum tempo atrás me deparei com essa cena de sufoco dentro da minha própria casa, ao encontrar minha filha chorando por não estar conseguindo entender a matéria que a professora de História havia passado para ser estudada pra prova - e o pior é que ela estava precisando muito de uma boa nota. Aliás, posso até dizer que revivi a cena porque também já passei por tal situação – eu odiava estudar para as provas de História.
Sei é que em prantos ela reclamava comigo: “mãe, porque tenho que saber o que aconteceu anos atrás? E chorava... chorava... chorava...
O jeito que encontrei para ajudar minha filha, naquele momento, foi primeiro lhe dando carinho, até que as lágrimas parassem, até que ela ficasse mais calma; depois peguei o livro para ver afinal qual parte da História ela estava estudando, e assim comecei com ela uma viagem ao passado, conseguindo apresentar inúmeras comparações com o presente – que é o mundo que ela está “antenada”! Pois bem, fizemos uma viagem muito legal, e ela conseguiu a nota que precisava.
Entendo que muitos, devido a esse princípio escolar, acabam realmente carregando desafeto pela História: deixando-a fora de suas vidas (da minha parte tive a sorte do desafeto sumir). Ocorre que uma das consequências, dessa escolha, acaba sendo a perda de oportunidade para acertar, pois foi como li recentemente em um e-mail que recebi: “quem não conhece História não é capaz de construir um grande futuro”.
Como definir então a História, a qual muitos desprezam por significar “passado”?
Acredito que imaginar algumas questões simples já da para definir um pouco:
=>O que seria da civilização sem os registros Históricos?
=>Qual seria o perfil da sociedade atualmente sem conhecimentos específicos do que deu, ou não, certo no passado/apresentado através da História?
Com certeza, os erros e acertos “registrados historicamente” pelas gerações passadas representam uma fonte de água cristalina para a geração atual. Assim como os erros e acertos dessa geração atual estará servindo (também como uma fonte de água cristalina) para aqueles que virão futuramente.
É, realmente, uma lástima ter pela História desafeição (ou desatenção). :(
Concluindo, tenho um respeito, e admiração, enorme pelos profissionais que escolheram exercer o magistério. Da minha parte, adoraria se tivesse acontecido comigo tal escolha - ser uma professora - mas, o magistério nunca esteve entre uma escolha profissional para minha vida - a verdade é que desde criança o bichinho da paixão picou inoculando o setor comercial. Sei é que não tendo me tornado uma professora, e nenhuma fera em História (quem me dera ser!), por tal questão, acho muito engraçado quando minha filha, depois da viagem que fizemos, passou a me dizer: “mãe, só consigo estudar bem História com você”.
Algo é certo, por vezes seguir as “regras” estabelecidas pelo sistema (...) nos faz perceber que muitas vezes a “verdade” não é aprendida. E tal verdade segue sem ser conhecida, tendo em vista o afastamento que o indivíduo, ao chegar à fase adulta, procura em relação à História. :(
Viva a História!
Paz e bem! Sandra Valeriote

Um comentário:

Bebeto Alvim disse...

Sandra,
Tomara que meu comentário saia nessa blogosfera que talvez insista em me deixar de fora. É, realmente, um grande prazer ler seus textos, tão sensitivos e cabíveis no mundo atual. Meu irmão mais novo, comum com o André Xoxô (Morroazuleventos), Juscelino Alvim, colaborador da Angeline (O Vagalume), inveredou pelo caminho da História (é professor, formado na UNIG), por qual tenho paixão. Nunca entendi meus netos sobre a dificuldade que eles tinham com a matéria. Destarte, guardo mais livros e recortes de história e historietas que assuntos sobre temas modernos. Sem a História e sem a Cultura, o que seria de nós hoje. Caminharíamos sempre pelos caminhos da "pedra lascada".
Volto já. Beijos e abraços fraternos.
Bebeto Alvim.