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sábado, 11 de junho de 2011

DESEJOS, VALORES E IDEAIS - dilemas da vida moderna

Numa conversa entre amigos, falávamos sobre os valores morais tão distorcidos na vida contemporânea! A sensação que temos é que tudo que era considerado errado no passado virou moda e motivo para ser admirado pela sociedade no presente.
Antigamente ser primeiro aluno da classe era sinal de prestígio e inteligência, hoje eles são chamados de NERDS. Ser honesto era honroso, hoje ser esperto é que é legal!

Amor, fidelidade, projetos para uma vida inteira eram os planos de quem queria se casar e construir uma vida ao lado de alguém. Hoje o prazer sexual preconiza o início de um relacionamento, seja ele descartável ou não. Como dizem os jovens: “A FILA ANDA”! Parece que ninguém quer dividir nada, as pessoas só se juntam se puderem somar.

Falávamos também da propaganda enganosa, da ditadura da beleza, da cultura que troca o ser pelo ter, da arrogância e despreparo de alguns novos poderosos e novos ricos muito afetados pelo excesso de deslumbramento nesse mundo ainda tão desconhecido. O chato é ter que conviver com a arrogância e falta de respeito à hierarquia de valores que são os alicerces da construção de uma pessoa.

Também pudemos observar perplexos, a atitude irresponsável de alguns profissionais que se apropriam indevidamente do espaço que lhes é dado na mídia para executar sua vingança pessoal denegrindo e difamando pessoas. E o pior, uma vingança impulsiva, infundada, imaginária, que nem se deu o trabalho de comprovar a veracidade dos fatos. Mas fazer o quê? O tempo se incumbirá de revelar a verdade e ela sempre chega, cedo ou tarde.

Estamos presenciando muitas mudanças de paradigmas e uma delas é percebida claramente na forma de condução dos Governos. Investem-se altas quantias em propaganda, muitas vezes para maquiar a falta de seriedade e incompetência administrativas. O importante nessas situações não é o que acontece na realidade, mas sim, a imagem que é passada. Como prega a sabedoria popular: “a mentira infinitamente repetida, torna-se verdade.”

Vemos na mídia governos fantásticos promovendo milagres e feitos espetaculares em tempo recorde, mas o que se constata é a miséria e a violência proliferando.
A falta de políticas públicas mais humanizadas nos deixa à mercê de um mundo frio, oportunista e impessoal.

Vivemos numa época que as pessoas amedrontadas e fragilizadas, parecem se fechar mais a cada dia. As trocas afetivas diminuíram e o distanciamento entre elas aumentou.

Ninguém se importa com o que ou quem você é, mas sim com o que você tem e quem você mostra ser.
Assim os indivíduos, cada vez mais rotulados e despersonalizados se APEGAM A VENDER SUAS IMAGENS de bem-sucedidos, ricos, vencedores e possuidores de uma felicidade tão permanente que nenhum PROZAC conseguiria dar conta. Falando nisso... Já notaram que a tristeza, um sentimento tão natural quanto a alegria, parece ter sido retirada do vocabulário? Ninguém mais pode se dar o direito de vivenciá-la que logo será rotulado como depressivo. Temos sempre que refletir a imagem da felicidade!

Mas sempre chega a hora de se olhar no espelho e se confrontar consigo mesmo perguntando: - Quem sou eu? - O que eu realmente penso, quero e sinto? - Eu sou eu mesmo ou aquele personagem que criei para a sociedade?
Questionamento como esse fica tão difícil de ser encarado, que só mesmo apelando para o álcool e a droga no intuito de se anestesiar a dor de se sentir um equívoco de si mesmo. E isso é lamentável!

Até responder um cumprimento mais banal ficou complicado. Quando perguntam se está tudo bem, temos que responder, automaticamente, como mera formalidade, pois na verdade, se você desejar manifestar alguma insatisfação, dor ou descontentamento, logo, logo encontrará pessoas cheias de compromisso e com muita pressa. Mas, certamente encontrará, com tempo de sobra, quem deseje ouvir suas histórias acerca do belo cruzeiro pelo Caribe ou das muitas compras em NOVA YORK. Afinal, todos precisam de um escape, algo para fazer sonhar, ou mesmo rir.

Ninguém quer ouvir problemas porque os seus já são difíceis demais de carregar e resolver. Se quiser um ouvido atento prepare-se para pagar um analista. Tudo que precisamos temos que pagar o preço concreto e emocional.

A ditadura da beleza, determina que as quarentonas e cinquentonas precisam ser louras, magras, saradas e manter a juventude dos 20 anos mesmo que descaracterizem seus traços com botox e outras técnicas as marcas em seu rosto que contam a sua história.
Quem aguenta tanta pressão?!
Acompanhar a vida moderna não é fácil!
Já percebo uma reação em algumas jovens desejando aquele tempo em que a mulher podia ser mãe e esposa e se sentir bem com isso sem precisar ser inteligente, brilhante, poderosa, linda, magra, sarada e bem-sucedida. Será que não podemos escolher o que queremos ser? Temos que comprar o pacote completo?

E nessa luta frenética que vivemos na ânsia de atender a tantas expectativas e representar tantos papéis, o tempo é sempre insuficiente. E pasmem... esse tempo não tem volta! Um dia tudo se vai: o sucesso, as fotos na coluna social, o corpo escultural, o PHD e a gorda conta bancária. Nada disso pode preencher o vazio da falta de amigos, do amor do marido e dos filhos, da convicção de ter lutado pelos nossos ideais, da felicidade de acolher os netos chegando para alegrar nossas vidas, nos consolando das perdas dos pais que partiram e nos mostrando, que A VIDA TEM QUE CONTINUAR, acima de tudo e apesar de tudo!

Precisamos mesmo estar atentos ao encaminhamento que damos à nossa vida, não nos omitindo das nossas responsabilidades pessoais e sociais, mas nos dando o direito de lutar pela nossa felicidade que pode significar simplesmente GOSTAR DO QUE VOCÊ TEM E AMAR SER QUEM VOCÊ É!

Por Claudete Machado Cerqueira.

Publicado na Estilo Off de junho2011

*Extraído do blog: Claudete com você



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